CoronaVac: o que se sabe sobre a vacina contra Covid-19 produzida pelo Butantan e o plano de vacinação em SP
09/01/2021 00:04 em Brasil

O governo de São Paulo anunciou nesta quinta-feira (7) o resultado da terceira fase de testes no Brasil da CoronaVac, a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac com o Instituto Butantan. O estudo apontou que ela teve 78% de eficácia contra casos leves da doença.

Nesta sexta-feira (8), foi enviado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o protocolo para o pedido emergencial de uso do imunizante no país. Caso o pedido seja aprovado, a previsão do governo estadual é que a vacinação comece em São Paulo no dia 25 de janeiro para grupos prioritários.

Veja, abaixo, as principais questões sobre a CoronaVac e em seguida as respostas:

 

  1. O que é a CoronaVac?
  2. Quem é responsável pelo desenvolvimento dela?
  3. CoronaVac e 'vacina do Butantan' são a mesma coisa?
  4. O que está previsto no acordo entre o Butantan e a Sinovac?
  5. A vacina é produzida no Brasil?
  6. Ela é segura?
  7. A CoronaVac protege contra o coronavírus?
  8. Já foi aprovada?
  9. Quantas doses são necessárias para ficar protegido?
  10. Quem vai tomar primeiro?
  11. Se não estou no grupo prioritário, quando vou tomar?
  12. As doses estarão disponíveis no Sistema Único de Saude (SUS)?
  13. Só quem mora no estado de SP vai poder tomar a CoronaVac?
  14. Quantas doses já estão disponíveis?

Veja, abaixo, o que se sabe até agora sobre a vacina:

 

1. O que é a CoronaVac?

 

A CoronaVac é uma vacina contra a Covid-19 que usa vírus inativados. Esta técnica recorre a vírus que foram expostos em laboratório a calor e produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir. Isso quer dizer que não há a presença do vírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.

 

2. Quem é responsável pelo desenvolvimento dela?

 

A vacina é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, que é vinculado ao governo de São Paulo.

Como parte da parceria, o Butantan foi responsável por coordenar os testes de fase 3 da vacina no Brasil, que envolveu 16 centros de pesquisa clínica em sete estados e no Distrito Federal.

 

3. CoronaVac e 'vacina do Butantan' são a mesma coisa?

 

Sim. Porta-vozes do governo de São Paulo passaram a chamar a CoronaVac de "vacina do Butantan" em coletivas de imprensa e entrevistas após a repercussão negativa do termo "vacina chinesa", que ganhou caráter pejorativo por meio de grupos contrários à vacinação.

 

4. O que está previsto no acordo entre o Butantan e a Sinovac?

Não se sabe exatamente quais são os termos do acordo entre o Butantan e a Sinovac. O contrato da parceria entre o governo de São Paulo e o laboratório chinês é considerado confidencial e não foi integralmente divulgado.

Em 20 de setembro de 2020, durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, um acordo no valor de US$ 90 milhões para o recebimento de 46 milhões de doses da CoronaVac foi assinado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e pelo diretor do laboratório Sinovac, Weining Meng.

No entanto, Doria não esclareceu se esse valor se soma aos R$ 85 milhões que, em junho, o governo estadual declarou que havia pago por outro acordo, também não divulgado integralmente.

 

5. A vacina é produzida no Brasil?

 

Ainda não. A fábrica do Butantan que deve produzir doses da CoronaVac em território nacional ainda não está pronta. A previsão inicial do governo estadual era finalizar as obras até o final de 2021. A promessa é que a fábrica possa produzir 100 milhões de doses da vacina contra Covid-19 por ano.

Por enquanto, a vacina é apenas processada pelo Instituto Butantan na fábrica que o instituto já utiliza para outras vacinas. Nesse local, a matéria-prima que chega da China é diluída, envasada e rotulada. Uma outra parcela, menor, das doses importadas pelo governo estadual já vem pronta da China, em embalagens de dose única e preparadas para a aplicação.

 

6. Ela é segura?

 

Sim. Um estudo publicado na revista científica "The Lancet" aponta que a vacina produzida pela Sinovac é segura. Os resultados tratam de estudos de fase 1 e 2 com 743 pacientes.

De acordo com os pesquisadores chineses, a CoronaVac não apresentou "nenhuma preocupação com relação à segurança". A maioria das reações foram leves, sendo que a mais comum foi a dor no local da injeção. Nenhuma reação adversa mais grave foi relatada durante a fase 2, que teve participação apenas de voluntários chineses

 

7. A CoronaVac protege contra o coronavírus?

 

No Brasil, de cada cem voluntários vacinados com a CoronaVac que contraíram o vírus, 22 tiveram apenas sintomas leves, sem a necessidade de internação hospitalar, índice apresentado como de 78% de eficácia para casos leves, segundo o governo de SP.

Para redução de casos graves e moderados, o governo anunciou índice de eficácia de 100%, ou seja, não houve casos graves (incluindo mortes) e moderados entre os vacinados.

proporção de pessoas vacinadas que, ainda assim, contraíram a Covid-19 não foi divulgada, ou seja, a eficácia geral da CoronaVac ainda é desconhecida. A falta da divulgação desse dado básico foi alvo de críticas, apesar de o números para casos leves e moderados ter sido considerado animador por especialistas.

 

8. A vacina já foi aprovada?

 

Ainda não. Para ter uso autorizado no Brasil, a vacina precisa ser aprovada pela Anvisa. O pedido de uso emergencial da CoronaVac no Brasil foi feito nesta sexta-feira (8) e é referente às 6 milhões de doses que já chegaram prontas da China. Esta é a última etapa necessária para que a vacina seja autorizada para aplicação.

Segundo a Anvisa, o prazo para a análise do pedido de uso emergencial é de dez dias.

O pedido para registro definitivo da vacina ainda não foi feito. O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que ele será feito pela Sinovac, mas ainda não apresentou a data.

 

9. Quantas doses são necessárias para ficar protegido?

 

São necessárias duas doses. De acordo com o Instituto Butantan, entre a primeira e a segunda dose, deve haver um intervalo entre 14 e 28 dias. O cronograma estabelecido no plano estadual prevê um intervalo de 21 dias entre as duas aplicações.

 

10. Quem vai tomar primeiro?

 

O plano estadual de vacinação prevê que trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas sejam os primeiros a receber as doses da vacina, a partir do dia 25 de janeiro. Na sequência, virão idosos (veja o cronograma abaixo).

Nesta primeira fase, 9 milhões de pessoas devem receber a vacina. O total corresponde à estimativa desses grupos prioritários no estado de São Paulo: 7,5 milhões com 60 anos ou mais; e 1,5 milhão de trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas.

No entanto, após o anúncio do governo federal da compra de todas as doses da CoronaVac pelo Ministério da Saúde para inclusão do imunizante no programa nacional de vacinação, não há certeza de que este cronograma estadual será mantido da forma como foi apresentado.

Segundo o coordenador Executivo do Centro de Contingência da Covid-19, João Gabbardo, caso o governo federal inicie a vacinação contra a Covid-19 antes do dia 25 de janeiroSão Paulo vai seguir o calendário nacional.

Cronograma estadual da 1ª fase de vacinação contra a Covid-19, segundo governo de SP

co-alvo Primeira dose Segunda dose
Trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas 25 de janeiro 15 de fevereiro
75 anos ou mais 08 de fevereiro 1° de março
70 a 74 anos 15 de fevereiro 08 de março
65 a 69 anos 22 de fevereiro 15 de março
60 a 64 anos 1° de março 22 de março

 

 
 

https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/01/08/coronavac-o-que-se-sabe-sobre-a-vacina-contra-covid-19-produzida-pelo-butantan-e-o-plano-de-vacinacao.ghtml

 

 
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